Criar produtos para atender necessidades específicas é um dos nichos a ser explorado por engenheiros de alimentos 24 de janeiro de 2012
Um desafio gigantesco preocupa autoridades de todo o mundo: produzir, processar e distribuir alimentos para os 7 bilhões de habitantes do planeta, com perspectiva de chegar a 9 bilhões até 2050. Além disso, um dado alarmante vem da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês): 925 milhões de pessoas ainda são assoladas pelo drama da fome.
O engenheiro de alimentos é um dos profissionais envolvidos nessa batalha, pois atua em todas as etapas da industrialização de alimentos e bebidas, desde a seleção da matéria-prima até o controle de qualidade final. Segundo o professor Carlos Prentice-Hernández, coordenador da graduação em Engenharia de Alimentos da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), o grande problema da falta de comida está relacionado à distribuição, e não à produção. Mesmo assim, ele acredita que o incremento da produtividade nas indústrias, com a ajuda do engenheiro, pode melhorar o panorama.
— Com a mesma quantidade de matérias-primas, precisamos aumentar a produção, respeitando a qualidade. Para isso, teremos de reduzir o número de resíduos e excedentes — aponta.
Evitar desperdícios é uma das atribuições
Coordenador do curso da Universidade de Passo Fundo (UPF), Christian Oliveira Reinehr concorda que o desperdício durante o processo industrial é um dos fatores a serem combatidos. Propor a utilização de matérias-primas alternativas, como o soro de leite ou a biomassa de microalgas, também é tarefa do profissional da área, explica o professor.
— Cabe ainda ao engenheiro de alimentos estudar os componentes presentes nos diversos alimentos in natura ou processados e as embalagens, com o objetivo de manter as características nutricionais dos alimentos por um período maior — acrescenta Luciani Tatsch Piemolini-Barreto, coordenadora do curso de Engenharia de Alimentos da Universidade de Caxias do Sul (UCS).
Cálculos e mais cálculos
Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a graduação em Engenharia de Alimentos foca bastante em matemática, química e física nos dois primeiros anos. O aluno interessado deve gostar de passar horas debruçado sobre cálculos.
No decorrer dos 10 semestres, o estudante vai deparar com disciplinas de tratamento térmico, processos de embalagem e de secagem, controle de qualidade, processamento de alimentos, entre outras. No final, terá de fazer estágio obrigatório e trabalho de conclusão.
— Temos um bom programa de iniciação científica, e os estudantes podem obter ainda bolsas de monitoria — indica Florencia Cladera Olivera, coordenadora do curso da UFRGS.
Fonte: http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/bem-estar/19,0,3635236,Criar-produtos-para-atender-necessidades-especificas-e-um-dos-nichos-a-ser-explorado-por-engenheiros-de-alimentos.html
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